Waldir Cardoso Lebrego
15/09/1933
Belém-PA

 
Paysandu, Vitória-BA, Botafogo, Bonsucesso e América de Cáli.
 
Centroavante

   O temido Quarentinha, artilheiro do Botafogo no final dos anos 50 e início do 60, não sabia a quantidade de gols que marcou ao longo de sua carreira. Calcula que tenha passado dos quinhentos.

   Jogou no Paysandu e no Vitória-BA, onde estreou bem e continuou marcando gols em todas as partidas, tornando-se o artilheiro com 31 gols. Foi transformado em ídolo e a figura mais comentada do campeonato de 1953, ganho de maneira brilhante pelo Vitória, em cuja ofensiva contava além dele Quarentinha, com mais dois fura redes de primeira: Juvenal e Alen.

  Ele era uma máquina de fazer gols. Foi artilheiro do Campeonato Carioca por três vezes consecutivas: em 1958, com dezenove gols; em 1959, com 25; e em 1960, com outros 25. Quarentinha era um artilheiro frio, que pouco vibrava com seus gols, mesmo quando garantiam importantes vitórias do Botafogo. Isso aborrecia os dirigentes e o tornava indiferente perante a torcida. Sua explicação jamais convenceu: "Eu era pago para marcar gols. Não fazia mais que minha obrigação". Sobre isso o ilustre Botafoguense Armando Nogueira escreveu certa vez: "Sempre que o via voltando da área, cabisbaixo, eu o imaginava a parodiar, bem baixinho, os versos de Manuel Bandeira: "Faço gol como quem chora / Faço gol como quem morre." Era uma flor de melancolia o Quarentinha. Que Deus o tenha."

  Era também um pouco irresponsável. Gostava da noite e gastava seu dinheiro em farras. Suas atuações caíram e o presidente Paulo Azeredo, para castigá-lo, atendendo a um pedido do treinador Gentil Cardoso, emprestou-o ao Bonsucesso, cujo técnico, o duro Zezé Moreira, exigia disciplina no time. Mas o castigo que pretendiam dar em Quarentinha foi um tiro que saiu pela culatra: ele terminou o campeonato de 1956 como vice-artilheiro, com 21 gols, um a menos que Valdo, do Fluminense. A vingança de Quarentinha se completou com a vitória do Bonsucesso sobre o Botafogo por 1 x 0, gol dele. Por isso voltou para General Severiano no ano seguinte.

  Na Seleção Brasileira estreou contra o Chile, no Maracanã, pela Taça Bernardo O'Higgins. Marcou dois gols na goleada de 7 x 0. No segundo jogo, no Pacaembu, marcou o gol da vitória (1x 0), quando faltavam 10 minutos para terminar o jogo. Mas os sonhos de disputar uma Copa do Mundo terminaram com uma contusão no menisco direito.

  O paraense Waldir Lebrego - Quarentinha, porque tinha na escola o mesmo número 40 do pai - Encerrou sua carreira em General Severiano, em 1965, depois de uma vitória fácil sobre o América por 3 x 0, três gols seus, aproveitando passes de Gérson, o Canhotinha de Ouro. O dirigente Brandão Filho quis agradá-lo com elogios e tapinhas nas costas. Quarentinha respondeu que era tudo falsidade e acabou vendido ao América, de Cali, Colômbia, e lá terminou sua carreira de temido artilheiro.

  Quarentinha, é o maior artilheiro da história do Botafogo com  308 gols em 446 jogos. Jogando ao lado de Didi e Garrincha, fez história no Botafogo. Tem a melhor média de gols da história da Seleção Brasileira: 1 gol por jogo (17 jogos e 17 gols).

 

Comentários de Armando Nogueira Sobre Quarentinha 

"Quarentinha, eu o vi jogar muitas e muitas vezes. Era um chutador temível, um atacante de respeito, que fazia tremer os goleiros, fossem quem fossem. Tinha na canhota o que, então, se chamava um canhão. Chutava muito forte, principalmente, bola parada. Era de meter medo. Nos jogos Botafogo-Santos, era ele, de um lado, o Pepe, do outro. Ai de quem ficasse na barreira.

Quarentinha nasceu no Pará, filho de um atacante que lhe herdou, intactos, o chute poderoso e o apelido. Não sei se o pai era tão tímido quanto o filho. Quarentinha jamais celebrou um gol, fosse dele ou de quem fosse. Disparava um morteiro, via a rede estufar, dava as costas e tornava ao centro do campo, desanimado como se tivesse perdido o gol.