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Nilton dos Santos |
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16/05/1925 |
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Rio de Janeiro |
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Vestiu apenas duas camisas em toda sua
carreira de jogador de futebol: a do Botafogo carioca, que
defendeu por 17 anos em 716 jogos; e a da Seleção Brasileira,
pela qual fez 75 jogos oficiais e dez não-oficiais e marcou
três gols. |
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Campeão Carioca em 1948,1957,1961 e 1962; Rio-São Paulo
(1962/64); Copas do Mundo de 1958 e 1962; Copa América de
1949; Pan-americano de 1952. |
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| Lateral Esquerdo |
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"Eu invejo os laterais de hoje.
Não pelo dinheiro que eles ganham, mas pela liberdade que têm
para jogar", confessa hoje, aquele que é
considerado o maior lateral-esquerdo da história do futebol
mundial, não é a toa que foi apelidado de "Enciclopédia do Futebol".
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Nilton
dos Santos, bicampeão mundial com a Seleção Brasileira,
tetracampeão carioca com o Botafogo, além de vários outros
títulos internacionais, sempre com as mesmas camisas, foi o
responsável por mudanças táticas em várias seleções e clubes
do mundo e também por um novo papel do lateral em campo. |
"Eu sempre gostei de atacar, mas fazia com cuidado, pois se
o time tomasse um gol naquela hora eu ia parar na forca",
lembra. Nílton Santos reconhece que foi favorecido na época.
"Tinha a vantagem de ter Garrincha no meu time. Ele atraía o
jogo para a direita e eu aproveitava para dar minhas
arrancadas. Consegui fazer 11 gols pelo Botafogo e três pela
Seleção Brasileira, o que era um absurdo na época. Creio que
fui um dos primeiros laterais a atacar e não só a marcar",
reconhece. |
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Nilton Santos era um jogador clássico, elegante, raramente
fazia falta e nunca jogou com violência. Começou a carreira
como centroavante, mas foi colocado como quarto-zagueiro em um
treino e logo em seguida firmou-se na lateral. A obsessão pelo
ataque, no entanto, permaneceu e o fez inovar o futebol de sua
época, com suas "estranhas arrancadas" pela esquerda. |
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Dono de um futebol refinado, hábil, chutava e driblava com
ambas as pernas - coisa rara na época. Em campo, exercia uma
liderança discreta, mas firme. Jogadores como o Amarildo, que
substituiu Pelé na Copa de 1962, o próprio Pelé e Garrincha,
de quem era considerado o melhor amigo e compadre, o
respeitavam muito. |
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Na Copa do Mundo de 1962, no Chile,
Nilton Santos
conseguiu conter os ânimos do estourado Amarildo, que não de
graça tinha o apelido entre seus companheiros do Botafogo de
Possesso. "Eu e o Didi chamamos o Amarildo e falamos que os
espanhóis iriam tentar irritá-lo e que ele teria de se
controlar para não ser expulso. Ele entendeu o recado e se
comportou maravilhosamente bem. Parecia um anjo dentro de
campo", lembra. |
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Ainda na Copa de 1962, ocorreu um lance que
marcou a vida de Nílton Santos e a história do futebol
brasileiro. O jogo era contra a Espanha, válido pela última
rodada da fase de classificação, e decisivo. Quem perdesse,
voltava para casa. Nílton Santos, então já com 37 anos, conta
o que aconteceu: "Começamos mal e tomamos um gol no primeiro tempo. O
técnico espanhol colocara um cara novo e veloz em cima de mim,
mas ele era canhoto. Ele ganhava todas as corridas, mas na
hora de cruzar, tinha que ajeitar a bola para a perna boa.
Nessa hora, eu chegava e roubava a bola. No segundo tempo, a
mesma jogada se repetiu, mas, na hora de cortar a bola, acabei
derrubando o espanhol dentro da área. Instintivamente, dei
dois passos e saí da área. O árbitro estava longe, não viu e
marcou falta e não pênalti. Foi pura malandragem, daquelas que
a gente aprende nas peladas." Depois desse lance, os espanhóis desmontaram, ao mesmo
tempo em que Mané Garricha começava a dar seu show particular,
driblando os adversários de todas as maneiras. Numa dessas
jogadas, Amarildo empatou o jogo. Os espanhóis entraram em
desespero. Todo mundo recuou na tentativa de parar o Mané das
'Pernas Tortas'. Mas não teve jeito e em outra jogada do
ponta-direita brasileiro Amarildo fez seu segundo gol na
partida, o da vitória brasileira. Hoje, Nílton afirma que, embora não tenha feito gol naquela
partida e nem mesmo jogado tão bem, aquele lance do pênalti
acabou sendo decisivo. |
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Romântico, não ligava para dinheiro. "Eu acho que sempre
fui amador. Cheguei a assinar três contratos em branco, no
auge de minha carreira", diz. Mas ele não se arrepende. "Faria
tudo de novo, outra vez. Tudo o que tenho, tudo o que eu sou,
eu devo ao Botafogo." |
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Seu outro amor, talvez o principal: a bola. "É a minha
vida. Foi quem me deu tudo. Nunca me traiu, nunca me bateu na
canela. Sempre me obedeceu. Minha bola é minha vida",
confessa. |
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Nílton Santos começou no time carioca em 1948. Em 1950 já
participava de sua primeira Copa, na reserva. "Foi muito
triste ver o Maracanã silencioso. Deu vontade de fugir".
Depois de um Mundial regular na Suíça, em 1954 ("foi uma
bagunça geral") teve sua grande chance na Suécia, em 58.
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Na véspera da final contra os suecos, confiante, chegou a
declarar a alguns repórteres que queriam saber se ele dormiria
tranqüilo: "Pelé, Garrincha e Didi jogam no nosso time. Os
suecos que passem a noite em claro pensando em como marcar o
Brasil. Eu vou dormir sossegado". O resultado todos sabem: 5 a
2 para o Brasil. |
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Outra passagem marcante na carreira de Nílton Santos foi a
de um gol na Copa de 58. O Brasil vencia a Áustria por 1 a 0,
no começo do segundo tempo. Nílton pegou a bola na defesa e
começou a avançar: "Volta, Nílton", gritou do banco Vicente
Feola, técnico do Brasil. O lateral continuou correndo e
ultrapassando os adversários. Já quase na intermediária, ouviu
novamente: "Volta, Nílton". Mas fingiu não ouvir e chegou à
entrada da área austríaca: "Volta, Nílton", berrava Feola,
quase se esgoelando. Nílton chutou com maestria da entrada da
área, marcou o segundo gol brasileiro, que levou o público ao
delírio. "Boa, Nílton", murmurou Feola, já se sentando no banco
novamente. 1962 foi o ano de ouro para o lateral. Conquistou o
bi mundial no Chile com a Seleção e bi carioca com o Botafogo,
numa final histórica contra o Flamengo, com show de Mané
Garrincha. E em 1964, ele abandonou o futebol e o Botafogo,
aos 39 anos. "Boa, Nílton", murmurou Feola, já se sentando no banco
novamente. 1962 foi o ano de ouro para o lateral. Conquistou o
bi mundial no Chile com a Seleção e bi carioca com o Botafogo,
numa final histórica contra o Flamengo, com show de Mané
Garrincha. E em 1964, ele abandonou o futebol e o Botafogo,
aos 39 anos. |
Embora tenha parado de jogar. Nílton Santos não se afastou
do futebol. Em 1998, tocava um projeto de uma escolinha de
futebol em Palmas, Tocantins, para crianças carentes. Mesmo
declarando que nunca sonhou em ser treinador de futebol - "é
muito desgastante" - chegou a treinar o Bonsucesso, modesto
clube do subúrbio do Rio de Janeiro, depois de passar, sem
grande êxito pelo Galícia e Vitória, ambos times da Bahia.
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Ele também lançou, em 1998, um livro autobiográfico com o
apropriado nome de "Minha bola, minha vida", pela editora
Gryphus. Certa ocasião, solicitado para se autodefinir, Nílton
disse: "Sou um cara que só jogou futebol em um clube. Encerrei
minha carreira com quatro meniscos, o que prova que tinha bom
equilíbrio. Sou muito feliz e tenho a minha consciência
tranqüila. Quando tenho sono, durmo em cinco minutos. Minha
religião é não fazer mal a ninguém e, se puder, ajudar o
próximo". |
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