|
|
|
 |
Heleno de Freitas |
  |
 |
12/12/1920 |
  |
 |
São João Nepomuceno |
|
 |
|
|
 |
  |
| Botafogo, Vasco, Boca Juniors, Atlético de Barranquilha
(Colômbia), Santos e América (RJ). |
  |
 |
  |
| Campeão Carioca: 1949 (Vasco); Copa Rocca: 1945; Copa Rio
Branco: 1947 (Seleção Brasileira). |
  |
 |
  |
|
Centroavante |
  |
  |
|
Heleno, o craque, o artista da bola, o mito
do futebol, o artista das multidões, o craque galã, o diamante
branco, a elegância do futebol, são adjetivos, que perfeitamente se
enquadram a figura ímpar de um gênio Chamado Heleno e alguns desses
fazem parte do somatório de homenagens, que ao decorrer dos anos
serviram também como meio de imortalizar o grande ídolo. Foi com a
bola nos pés, levando a torcida ao delírio que Heleno deixou a marca
de sua genialidade, se tornando uma das mais ricas histórias do
futebol brasileiro.Seu futebol encantou o mundo e lhe rendeu
fantásticas expressões e frases de grande efeito, como a que se
encontra na estátua em sua homenagem em Barranquilla na Colômbia "EL
JOGADOR". |
|
Advogado, boêmio, catimbeiro, boa vida, arrogante, galã, mas um
homem nervoso, quase intratável. Depois de onze anos jogando
futebol, Heleno de Freitas entrou para a história como um dos
maiores craques do futebol sul-americano. Suas jogadas e gols
deslumbraram os torcedores. |
|
Começou em 1934 jogando pelo juvenil do
Botafogo, clube que aprendeu a amar, e logo se tornou sócio-atleta.
Ainda nos juvenis, teve um rápida passagem pelo Fluminense. Retornou
ao Botafogo onde permaneceu até 1948, quando foi contratado pelo
Boca Junior da Argentina, onde passou pouco tempo. Quando voltou ao
Brasil, vestiu a camisa do Vasco da Gama onde conquistou seu único
título de campeão carioca em 1949. Brigou com o treinador Flávio
Costa e foi jogar na Liga Pirata da Colômbia. Em 1951 retornou ao
Brasil e assinou com o América carioca. No clube de Campos Sales
somente jogou 35 minutos e foi expulso. Foi também, seu primeiro e
único jogo no Maracanã. A partida foi contra o São Cristovão e o
América perdeu por 3x1.
|
|
Em 1940, ele foi o centroavante
botafoguense na excursão ao México e no certame carioca. Pelo mundo,
exibiu criatividade, valentia e técnica. Em toda parte, ainda,
atiçando o mulherio, os traços das suas beleza, elegância e
inteligência. Mulherengo como o diabo, transava com qualquer raça e
classe, alvinegra ou não. No Botafogo, obsessivo, quis
incessantemente ser campeão. Mas até 1947 (seu último ano no clube),
o único título que obteve foi o de bacharel em direito - diploma
inútil para Heleno de Freitas, sem afã de advogar, ser delegado de
polícia, promotor ou juiz.
|
|
Em 1945, pela seleção, fez o
sul-americano no Chile, do qual saiu artilheiro. Ano seguinte, em
Buenos Aires, deu show em outro sul-americano. E divergiu do técnico
Flávio Costa no vestiário, onde o escrete se refugiara da pancadaria
portenha. Apesar das hostilidades, Flávio exigiu a volta ao jogo. O
brigão Heleno avisou que era temerário, pois talvez saíssem
inutilizados. E essa hipótese, acresceu de Freitas, não se aplicava
a ele, que tinha do que viver - no que foi apoiado pelo ponteiro
Chico. Todavia, irredutível, o técnico impôs a volta. E pimba: pau
generalizado. Na briga, os que mais apanharam - e bateram - foram
Heleno e Chico, o que ficara com a sensata tese do botafoguense no
refúgio do vestiário. Assim, o Brasil perdeu no placar e no braço. E
o centroavante, coitadinho, ganharia a eterna inimizade do treinador
Flávio Costa.
|
|
Com a fúria com que se portara na
Argentina, ficou claro que Heleno estava doente. E ninguém sabia que
era de sífilis cerebral, associada ao gênio difícil. A doença o
atritava com cartola, companheiro, adversário ou juiz. E ao clube
era prejudicial as expulsões de campo. Pior, a torcida inimiga
descobriu como irritá-lo apelidando-o de Gilda - personagem sensual
e neurótica de Rita Hayworth no cinema. Aí, só restou a proposta do
Boca Juniors, em 1948: comprá-lo por um punhado de dólares. Isso
magoaria o clube e o craque que, como deus e diabo, se amavam tanto,
freudiana e dialeticamente prisioneiro um do outro... Nesse ano,
Nílton Santos dava os primeiros passes no Botafogo. E Heleno casou
com Hilma, filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes.
Este, dedicou ao noivo "Poema dos Olhos da Amada" - obra que seria
seresta na voz do cantor Sílvio Caldas. Nessa época, entristecido, o
futebol do Brasil percebeu que Heleno de Freitas, tão íntimo da
bola, jamais se entenderia com os homens.
|
|
Heleno de Freitas era quase perfeito em tudo. Nos gols de
classe. Nas jogadas de alta categoria. E nas cabeçadas maravilhosas.
Entretanto, Heleno estava doente e não sabia. A sífilis corroia sua
cabeça e isso lhe criava muitos problemas. Às vezes, não entendia os
erros dos companheiros que lhe passava uma bola errada. Por isso,
brigava com os colegas, xingava os adversários, discutia com os
árbitros. Se Heleno de Freitas não fosse um craque maravilhoso,
ninguém o suportaria. Foi campeão brasileiro e sul-americano
defendendo por muitos anos as seleções cariocas e brasileiras.
|
|
Heleno ganhou fama e dinheiro. Viveu sempre entre mulheres
bonitas e homens inteligentes. Em Buenos Ayres, quando jogou pelo
Boca Junior, se tornou intimo da família do presidente Peron. No
Museu do Esporte, existente na Colômbia, foi erguido um busto em sua
homenagem e as grandes jogadas que tanto encantaram os
colombianos.
|
|
Heleno nunca quis ir ao um médico para fazer um exame rigoroso
e um tratamento sério da doença que o atormentava. Ele era genioso e
quando abandonou o futebol, por insistência de amigos e parentes,
foi examinado e constatado sífilis na cabeça em estado bastante
adiantado. Heleno teve que ser internado num sanatório na cidade de
Barbacena em Minas Gerais. No dia 8 de dezembro de 1959, a imprensa
brasileira noticiava a morte Heleno de Freitas. Morria um dos mais
elegantes jogadores do futebol brasileiro. O enterro aconteceu na
sua cidade natal, São João do Napomuceno, em Minas Gerais. Morreu
longe da torcida, dos dirigentes e com companheiros. Entretanto, a
cidade chorou a perda do seu filho mais ilustre. |
|
Em Buenos Aires, o tormento
psíquico afastou-o da mulher grávida. E sem ele o Botafogo ganharia
o título de 48. Não agüentando, Heleno foi para o Vasco no início de
1949. Em São Januário, fez-se campeão pela única vez na carreira.
Viveu em paz até que, num coletivo, saiu de campo esbravejando:
"Estes dois (apontou Maneca e Ipojucan) não me passam a bola porque
não querem. Aqueles (indicou) não passam porque não sabem. Não tenho
nada a fazer aqui". Mais adiante, discutindo com Flávio Costa,
apontou uma arma descarregada. Foi o bastante para que o Vasco o
liberasse para o Atlético de Barranquilla, da Colômbia, onde jogavam
Tim e outros astros.
|
|
Em 1953, a família o internou na
mineira cidade de Barbacena, onde um amigo dele era médico numa casa
de saúde. No início, o sifilítico embrenhou-se nas trevas
insondáveis da loucura. Depois, uma revista o mostraria de pijama,
obeso e triste. Por fim, só como um navio sem porto e sem condição
mental de pedir um padre, ele morreu em 8 de novembro de 1959. Isso
sem saber que o País vencera na Suécia. Sem saber que seria filme
(Heleno, de Gilberto Macedo) ou peça teatral (Heleno-Gilda, de
Edilberto Coutinho). E sem tempo para ler isto de Armando Nogueira:
"O futebol, fonte das minhas angústias e alegrias, revelou-me Heleno
de Freitas, a personalidade mais dramática que conheci nos estádios
deste mundo".
|
|
|
|
 |
|
|
|
Fotos de São
João Nepomuceno - Cidade Natal de Heleno de Freitas |
  |
|
|
  |
|
   |
  |

|
|
|
|